O Carnaval de 2027 já começa a ganhar contornos de antologia no Grupo Especial de São Paulo. Três gigantes da folia paulistana — Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé e Acadêmicos do Tucuruvi — revelaram seus enredos, apostando em narrativas que unem a espiritualidade, a resistência africana e a celebração de ícones da nossa música. Confira os detalhes de cada lançamento.
Dragões da Real: Uma Coroação sob a Justiça de Xangô
A “Gente Feliz” da Vila Anastácio decidiu transformar o Anhembi em um grande terreiro de pagode e fé. Com o enredo “Sob as bênçãos de Xangô a coroação do príncipe Reinaldo”, a Dragões da Real fará uma incursão emocionante pela trajetória de Reinaldo Gonçalves Zacaria, o eterno “Príncipe do Pagode”.
O lançamento não foi apenas um anúncio, mas um evento de gala que reuniu a elite do samba. Nomes como Leci Brandão, Dodô (Pixote), Billy SP e Marquinhos Sensação emprestaram suas vozes para celebrar a memória de Reinaldo, que nos deixou em 2019. A proposta da escola é fundir a proteção do Orixá da justiça com a elegância musical de um dos maiores intérpretes que o Brasil já conheceu.
Análise Carnavalista: A escolha de Reinaldo permite à Dragões explorar uma estética rica, que transita entre o figurino clássico do pagode carioca e o vigor visual dos elementos de Xangô. É um enredo de forte apelo popular e conexão direta com as comunidades.
Acadêmicos do Tatuapé: O Pulsar do Congo na Passarela
Bicampeã do Grupo Especial, a Acadêmicos do Tatuapé mantém sua tradição de enredos culturais densos e visualmente impactantes. Em 2027, a “Azul e Branco” cruza o oceano para mergulhar no Reino do Congo, celebrando a sabedoria e a organização de uma das civilizações mais potentes da África.
O enredo, que foca no Congo Kinshasa, promete um passeio pela modernidade e pela natureza, desde o Parque Virunga até a energia contagiante da rumba congolesa. O ponto alto da narrativa será o reconhecimento dessa herança viva no DNA brasileiro — na música, na fé e no modo de ser. “A história não se apaga… ela ecoa”, define a escola em seu manifesto.
Assista aqui a apresentação oficial do enredo:
Acadêmicos do Tucuruvi: A Força do Ferro e a Sabedoria Ògbóni
O “Zaca” segue sua trilha de enredos reflexivos e filosóficos sob a batuta do carnavalesco Nícolas Gonçalves e do enredista Cleiton Almeida. Para 2027, a Tucuruvi apresenta “Ogbódirin, Ògbóni”, uma saudação profunda à fraternidade iorubá Ògbóni.
O lema “Ogbódirin” — envelhecer e continuar forte como ferro — dita o ritmo da proposta, que busca nos pilares de Ifá e na sabedoria de Òrúnmìlà as respostas para um futuro próspero. A escola pretende desmistificar ensinamentos pouco difundidos da cultura iorubá, reforçando o vigor da vida longa e o bem coletivo.
Análise Carnavalista: A Tucuruvi consolida uma identidade editorial de ‘futuros promissores’. Ao olhar para o passado ancestral para imaginar o amanhã, a escola se posiciona como uma porta-voz intelectual do carnaval paulistano, unindo a luta do samba à sabedoria dos ancestrais.

