Crédito Rio Carnaval Eduardo Holanda - Divulgação
A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro definiu nesta terça-feira um novo rumo para o carnaval carioca: o Grupo Especial seguirá com 15 escolas até 2030. A decisão, tomada em reunião entre dirigentes das agremiações, consolida uma mudança histórica no formato dos desfiles da Marquês de Sapucaí e amplia o tempo de permanência do modelo com três noites de apresentações.
No carnaval 2027, tudo fica como já estava programado, com 12 escolas desfilando em três dias, assim como foi em 2026.
A proposta de expansão vinha sendo debatida desde o início do ano e ganhou força com o apoio da prefeitura do Rio de Janeiro, que defendia um Grupo Especial mais amplo como forma de valorizar escolas tradicionais, ampliar a oferta de espetáculo e fortalecer o turismo na cidade. O prefeito Eduardo Cavaliere já havia se manifestado favoravelmente ao novo desenho dos desfiles, mas ressaltava que a decisão final caberia à Liesa.
Debate envolveu verba, barracões e infraestrutura
Apesar do consenso em torno da ampliação, o tema vinha sendo tratado com cautela pela Liesa por conta de desafios logísticos e financeiros.
Entre os principais pontos discutidos estavam:
- aumento do repasse financeiro às escolas
- adequações na Cidade do Samba
- obras no Sambódromo da Marquês de Sapucaí
- cumprimento de exigências do Corpo de Bombeiros
Em março, o presidente da Liesa, Gabriel David, havia afirmado que a ampliação só seria possível com garantias de estrutura e sustentabilidade para manter o padrão do espetáculo.
Mudança atende a um antigo desejo do samba
A ampliação do Grupo Especial é vista por sambistas como um resgate de modelos mais robustos do passado. Durante décadas, o carnaval do Rio teve mais escolas na elite, o que permitia maior diversidade estética e cultural nos desfiles.
Para muitos dirigentes e torcedores, a nova configuração:
- valoriza a tradição do carnaval
- fortalece escolas históricas
- democratiza o acesso à elite
O modelo também atende a uma demanda antiga do público apaixonado por desfiles, que sempre defendeu mais escolas na Sapucaí.
Impacto para o carnaval brasileiro
A decisão da Liesa pode influenciar diretamente outros polos do samba, como o carnaval de São Paulo, onde o debate sobre ampliação de vagas e formatos também existe.
Além disso, o novo cenário reforça o protagonismo do carnaval como produto cultural e turístico de escala internacional.
O Rio de Janeiro aposta, assim, em um modelo mais inclusivo, competitivo e comercialmente forte para os próximos anos — sem abrir mão da grandiosidade que fez da Sapucaí o maior palco do samba no mundo.
Uma nova era na Sapucaí
A definição de manter 15 escolas no Grupo Especial até 2030 marca um dos movimentos mais importantes da gestão recente da Liesa.
Mais do que uma mudança numérica, a decisão representa um reposicionamento do carnaval carioca: mais escolas, mais espetáculo e mais espaço para a tradição seguir viva na avenida.
