Créditos Liesa Divulgação - Eduardo Hollanda
Antes de qualquer bateria ribombar na Sapucaí, antes que o intérprete solte a voz ou que a porta-bandeira erga o pavilhão, há um profissional que já imaginou tudo isso — e muito mais. O carnavalesco é o arquiteto do espetáculo. É ele quem transforma um tema em narrativa, em cor, em forma, em emoção. É ele quem decide o que o público vai ver — e sentir — quando as alegorias deslizarem pela pista às madrugadas de fevereiro.
A história do carnaval é também a história desses criadores. Joãosinho Trinta revolucionou a estética da folia com sua máxima de que “pobre gosta de luxo” — e transformou a Beija-Flor numa máquina de sonhos e polêmicas. Fernando Pinto construiu a grandiosidade da Imperatriz Leopoldinense nos anos de ouro do carnaval moderno, criando desfiles que equilibravam narrativa e impacto visual como poucos. Maria Augusta, pesquisadora e criadora meticulosa, trouxe rigor intelectual à avenida, transformando enredos em aulas magistrais de cultura brasileira. Depois deles, outros nomes foram surgindo — Paulo Barros, que virou a Sapucaí de cabeça para baixo com alegorias interativas e surreais; Rosa Magalhães, a mais premiada de todos os tempos no Estandarte de Ouro; Leandro Vieira, que emergiu na última década como o principal criador da nova geração. Cada um deles carrega na bagagem títulos, polêmicas e — o mais importante — desfiles que ficaram na memória para sempre.
Para o Carnaval 2027, enquanto não se definem as 15 escolas que farão parte do Grupo Especial do Rio, como anunciando recentemente, 12 delas já tem seus carnavalescos confirmados. São nomes experientes e alguns em plena ascensão, prontos para defender o prestígio de suas escolas na Marquês de Sapucaí nos dias 7, 8 e 9 de fevereiro. Com a novidade de uma estreante no grupo de elite — a União de Maricá, campeã da Série Ouro em 2026 —, o carnaval que se aproxima promete confrontos criativos de alto nível.
